TOP
Portugal Viajando em Família

“Adaptação de uma adolescente em Portugal”

Adaptação de uma adolescente em Portugal

O bate-papo de hoje é com a Mary Olininho que, há 17 anos, saiu ainda adolescente de São Paulo e foi morar em Belmonte, uma cidade no interior de Portugal. Ela tem um canal super legal no Youtube que fala sobre seu dia a dia por lá. Mas hoje, Mary vai explicar para o Bora Morar Fora como foi a adaptação de uma adolescente em Portugal.

Ela conta, sobre as dificuldades, as revoltas, os novos costumes e, claro, a parte boa, que a fez ficar esses 17 anos por lá.

Confira abaixo o vídeo da nossa entrevista sobre a adaptação de uma adolescente em Portugal:

Se preferir a leitura, sem problemas, abaixo todo o conteúdo e links da nossa conversa:

 

POR QUE FOI MORAR EM PORTUGAL AOS 15 ANOS?

Mary explica que, a decisão de ir morar fora partiu de sua mãe. Ela diz, que não teve muita voz neste momento, mas, devido a ser menor de idade, acompanhou sua família na mudança.

“É um pouco diferente das pessoas que querem ir com filhos. Eu fui a filha!”

Ela conta que, o que a fez ir morar em Portugal foi uma história de amor.

Sua mãe se apaixonou por um português, e vinha nutrindo esse relacionamento a distância, através de cartas. Pois, naquela época não haviam meios mais fáceis de comunicação como hoje.

Depois de algum tempo, a mãe da Mary acabou decidindo viver essa história de amor, mas eles precisavam decidir se ela iria para Portugal ou ele viria para o Brasil.

Por achar que Portugal daria uma melhor qualidade de vida para a família, ela acabou optando em ir para Portugal com suas duas filhas.

Mary conta que, foi assim que sua história em Portugal começou.

 

POR QUE MORAR NO INETERIOR DE PORTUGAL?

Mary explica que, uma parte de sua família já morava em Belmonte.

Desde pequena, ela ia para lá visitar seus familiares durante as férias. Por isso, explica que apesar da mudança ter sido complicada, nem tudo era novo.

Adaptação de uma adolescente em Portugal

MAIORES DIFICULDADES

Além de Mary, que foi morar em Belmonte aos 15 anos, sua irmã, Karine, também era adolescente e, na época, tinha 17 anos.

O mais interessante é que cada uma reagiu de uma forma.

Enquanto Karine se adaptou muito bem a nova rotina, Mary teve muitas dificuldades que, inclusive, fizeram retornar ao Brasil por um período.

SAUDADES

Apesar de ter alguns familiares por perto, ela diz que sentia muita falta de todos que havia deixado no Brasil.

Mary explica que, há 17 anos não havia essa proximidade tecnológica que há hoje. Onde, é possível ver e falar com pessoas que estão do outro lado do mundo em poucos segundos.

“Parece que a saudade doía mais.”

MUDAR PARA O INTERIOR

Uma de suas maiores revoltas, foi sair de uma cidade grande no Brasil para ir morar no interior de Portugal. Onde, segundo ela, não tinha absolutamente nada nas proximidades.

“Eu vim para Belmonte, uma cidade super pequenininha.”

Hoje, Mary fica encantada com a riqueza cultural de viver por lá, mas na época ela não se interessou nem um pouco por isso.

A LÍNGUA

Mary explica que, apesar de ser a mesma língua ela não conseguia entender nada devido ao sotaque.

Ela diz que muitas palavras são faladas de forma diferente por lá e, durante a entrevista, deu alguns exemplos:

Ela confessa, que até fingia entender o que falavam por ficar tão envergonhada de perguntar mais de duas vezes o que a pessoa havia dito.

“A língua é a mesma, mas eu não entendia nada do que eles falavam.”

 

“TENHO QUE VER O BRASIL DE NOVO”

Depois de 2 anos morando em Belmonte com sua mãe e sua irmã, Mary não viu outra saída a não ser retornar ao Brasil.

Ela explica que, mesmo depois deste tempo, ainda não havia se adaptado a mudança e, por isso, pediu a seu pai para ir morar com ele.

“Pai, pelo amor de deus, eu tenho que ver o Brasil de novo.”

Apesar de sua mãe ter sido contra, Mary diz que arrumou as malas e foi viver com seu pai, que a recebeu de portas abertas.

Adaptação de uma adolescente em Portugal

“É PORTUGAL QUE EU QUERO PARA MIM”

Após 1 ano, Mary concluiu o Ensino Médio e, precisava decidir se iria fazer a faculdade por aqui ou, se voltaria para Portugal.

Ela conta que, além da saudade que sentia de sua mãe e sua irmã, viu que em Portugal ela tinha uma melhor qualidade de vida e, se sentia muito mais segura.

“Pensei: realmente é Portugal que eu quero para mim.”

Mary explica que precisou vivenciar esse tempo no Brasil para entender a decisão que sua mãe tomou lá atrás.

 

DIFERENÇA CULTURAL

Mary explica que, há bastante diferença entre as culturas dos dois países.

Ela conta que, nada se compara ao calor dos Brasileiros.

Apesar dos portugueses serem maravilhosos, devido a cultura, ela explica que eles são um pouco mais frios.

No inicio, ela chegou a se assustar um pouco, pois achava que eles estavam sendo rudes. Mas, depois, viu que na verdade era apenas uma questão cultural.

Segundo Mary, outra diferença comportamental é a forma que cada um reage as adversidades da vida.

Ela diz que, sente que o brasileiro é mais positivo.

Nesses 17 anos morando em Portugal, percebeu que a maioria dos portugueses pensam primeiro no lado negativo para depois ver o positivo.

Segundo ela, não é um pensamento ruim, é apenas uma forma de encarar diferente.

 

PRECONCEITO POR SER ESTRANGEIRA

Mary diz que já sentiu preconceito no ambiente de trabalho.

Ela conta que fez hotelaria e, por isso, trabalhou em um hotel e tinha muito contato com os hóspedes.

Ela explica, que já ouviu críticas de pessoas da alta sociedade portuguesa a brasileiros que foram para Portugal trabalhar e tentar uma vida mais digna.

Uma vez, Mary conta que chegou a ouvir que eles já estavam saturados de tantos brasileiros pelo país.

“Eles falavam: não acredito, até aqui tem brasileiro.”

 

SE RELACIONANDO COM UM PORTUGUÊS

Hoje, Mary é casada com um português, mas conta que, no início, sentiu bastante diferença entre os relacionamento no Brasil e em Portugal.

Ela explica que, esse também foi um dos motivos que a fez voltar uma época para o Brasil.

Pois, bem na época de começar a se relacionar (15 anos), ela estava se sentindo um peixe fora d’água para lidar com meninos portugueses.

Diferente do Brasil, Mary conta que não é comum os meninos “chegarem” nas meninas em noitadas. E, no início, ela não entendia muito bem como deveria lidar com a situação.

No geral, ela conta que, devido a cultura, acha o brasileiro mais carinhoso.

Adaptação de uma adolescente em Portugal

JÁ FUI ASSALTADA EM BELMONTE

Mary diz que é muito incomum e quase impossível de acontecer, mas aconteceu com ela.

Apesar do apartamento de Mary ter sido o único que não foi assaltado do prédio, ela explica que se sentiu assaltada.

Segundo ela, assim como os outros moradores, Mary também teve que ir a policia prestar depoimento. E, conta que chegou a falar com um dos assaltantes por interfone.

“Eu senti na pele, meu prédio foi assaltado.”

Ela conta que, houve uma época que estavam assaltando muitas propriedades no interior de Portugal. Segundo Mary, deram o nome de “Gang Ucraniana”.

Esse grupo percorreu quase que o país inteiro fazendo esses tipos de assalto e, segundo Mary, eles focaram mais no interior, onde as pessoas são mais tranquilas.

Ela explica que, devido a todo mundo se conhecer e não ter assaltos na região, é comum as pessoas relaxarem.

“Eu dormia com a janela aberta, deixava o carro aberto.”

CRIMINALIDADE EM PORTUGAL

Logo que mudou para Portugal, Mary conta que viu uma mudança muito grande no comportamento de sua mãe.

Enquanto no Brasil, ela não deixava a Mary sair por medo que algo acontecesse, em Portugal foi o oposto.

“Minha mãe aqui, deixou a gente muito livre. Ela não tinha medo… eu lembro dessa sensação”

Mary explica que, existe criminalidade em Portugal, principalmente em grandes cidades.

“Em Lisboa, têm bairros complicados já.”

Ela conta que é preciso andar atendo e ter cuidado, mas nada que se compare ao Brasil.

Segundo Mary, a qualidade de vida lá é outro nível. E, apesar de morar em um lugar mais “pacato”, depois que teve a Amanda, sua filha, ela fala que cria-la em um ambiente mais tranquilo a deixa despreocupada.

Só de criar minha filha em segurança, não tem preço.

Adaptação de uma adolescente em Portugal

GASTOS EM PORTUGAL

Mary explica que mora em uma vila e por isso, seus custos são mais baixos comparados a uma cidade grande.

Ela comenta que, por lá é possível viver com um salário mínimo.

“Quando eu digo que é possível viver com um salário mínimo em Portugal, aqui é!”

MERCADO

Mary diz que o mercado está ficando caro.

Ela conta que, faz compras toda semana e tem visto que os preços estão aumentando. Chegou a gastar 80 euros em uma semana.

Mary fala, que tem optado mais pelas marcas brancas, que são marcas bem mais baratas.

“São brancas, mas os produtos são bons.”

Para quem não sabe, o que diferencia as marcas brancas de outras, é que elas não investem em marketing e embalagens atrativas nos produtos. O que acaba tornando o preço bem mais em conta.

Hoje, já há estudos que comprovam que a qualidade é a mesma comparada a de outros produtos.

TV, INTERNET, CELULAR E TELEFONE

Mary explica que, paga um preço muito bom de apenas 35 euros em um pacote onde está incluído:

  • Canais de TV a cabo
  • Internet
  • Um linha para telefone fíxo
  • 2 celulares com internet com 2g de internet por mês.

ÁGUA

Mary diz que, em Belmonte á agua é super barata.

Ela paga cerca de 10 euros por mês. Mas, explica que cada cidade tem sua tarifa.

ALUGUEL DE APARTAMENTO

Hoje, ela já tem sua casa própria, mas conta que pagava 200 euros mensais pelo aluguel de seu antigo apartamento.

Segundo Mary, ela só foi pagar esses valor de 200 euros nos últimos meses, pois lá, o governo dá um benefício chamado “arrendamento jovem”.

Ela explica que, até os 30 anos o governo ajuda ao jovem com a moradia. E, dependendo da idade o percentual da ajuda é maior.

No início, ela diz que pagava apenas 50% do valor do aluguel, mas até chegar aos 30, esse percentual de pagamento foi aumentando.

Adaptação de uma adolescente em Portugal

DICA PARA QUEM ESTÁ INDO PARA PORTUGAL AGORA

Mary explica que, o primeiro passo é se planejar.

Por isso, ela deu algumas dicas que podem te ajudar a iniciar essa nova jornada.

1- Colocar TODAS as suas experiências no currículo

Como o início é complicado, Mary diz que, independente da sua profissão, talvez você precise começar de baixo.

Essa fase vai ser importante para você juntar dinheiro e ter uma experiência de trabalho em Portugal, o que conta muito na hora da contratação.

2- Faça CURSOS ainda no Brasil

Segundo Mary, os cursos vão ajudar a agregar mais valor ao seu currículo. Além de te gerar mais experiência e conhecimento.

3 – Saiba falar INGLÊS, mesmo que só o básico

Diferente do que a maioria pensa, em Portugal, o inglês é sim muito importante.

Mary explica que, por lá, todo mundo fala inglês. Então, isso não é um diferencial na hora da contratação, mas sim algo essencial.

“Essa é a realidade.”

4- Saiba que você não vai enriquecer em Portugal

Ela diz que, é importante colocar na balança se vale a pena ou não embarcar nesta nova jornada. Pois você não vai enriquecer por lá.

Mary conta que, Portugal vai te oferecer uma qualidade de vida e uma segurança melhor do que a do Brasil, mas poucas são as pessoas que enriquecem fora.

“O padrão não muda, mas você terá uma ótima qualidade de vida e segurança.”

5- Tenha coragem

Mary explica que, quem quer morar fora é preciso agir com vontade, com persistência e principalmente coragem.

“A pessoa tem que ter coragem. O medo não pode ganhar”

 

BEST SPOTS

Mary contou que, Belmonte é uma vila com várias aldeias próximas que fazem parte de um conselho. Ou seja, é um local bem pequeno.

Porém, apesar de seu tamanho, ela diz que a vila é cheia de histórias. E, devido a Pedro Alvares Cabral ter nascido por lá, há muita relação com o Brasil.

Abaixo, os lugares que ela indicou para quem está pensando em morar ou visitar o local.

  • Castelo de Belmonte – Tem sua história ligada ao descobrimento do Brasil, devido a ter pertencido a família de Pedro Alvarez Cabral.
  • Museu do Descobrimento – É um museu interativo que explica a história dos descobrimentos e, principalmente, o do Brasil.
  • Sinagoga e Museu Judaico – Mary conta que, há uma comunidade Judaica muito grande por lá e, é muito interessante conhecer um pouco dessa cultura.
  • Aldeias históricas – Há muitas aldeias nas proximidades com arquiteturas antigas e muito lindas. Mary recomenda Sortelha, aldeia onde seu avó nasceu e, também, onde foi gravado o filme “Meu passado me condena 2”.

Adaptação de uma adolescente em Portugal

Hoje, Mary explica que vive com muito mais qualidade de vida e segurança. E, depois desses 17 anos, independente de talvez ir morar em qualquer canto do mundo, sente que Portugal se tornou sua casa.

E você? Quando vai realizar seu sonho de morar fora e conquistar uma melhor qualidade de vida?

Gostou da entrevista? Então fica de olho no Bora Morar Fora porque vem muito mais novidade por ai! Vai lá, curti nossa página do Bora Morar Fora no Facebook e se inscrever no Canal do Youtube para ser avisado assim que as novidades saírem. =)

E não se esqueça! Eu ainda ofereço um e-book GRATUITO sobre “Os 7 maiores mitos que te impedem de ir morar fora“, clique aqui para baixar o seu.

 


Se identificou com a Mary e quer saber mais? Dá uma olhadinha nas redes sociais dela!

Tags:    

«
»

what do you think?

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *