TOP
Nova Zelandia Viajando em Família

“Como morar e trabalhar na Nova Zelândia aos 37 anos, casada e com filhos – Entrevista com Eloise Esmitiz”

Tive um bate-papo motivador com a Eloise Esmitiz que aos 37 anos avisou à família que ia se unir a seu filho mais velho em sua viagem de intercâmbio para Nova Zelândia (NZ).

Hoje, aos 48 anos construiu sua vida por lá junto ao seu marido, que foi depois encontrá-la, e conta um pouco para gente como foi largar o Brasil, ir morar em um novo país e todo seu processo para tirar a cidadania neozelandesa.

Dá uma olhada no vídeo da na nossa entrevista abaixo:

Se quiser ouvir apenas o áudio da entrevista, clique aqui!

 

ANTES DE MORAR FORA

Eloise morava em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, com seu atual marido, Eugenio, e seus dois filhos do primeiro casamento, Talles de 17 anos e Thaisa 13 anos. Trabalhava há 18 anos na área de comercio exterior e tinha um bom emprego.

De onde surgiu a idéia de sair do Brasil?

Quando Talles terminou o segundo grau, decidiu que queria morar na Austrália. Como não conseguiu e tinha um grande amigo da família que morando em Queenstown na Nova Zelandia, acabou optando em ir para lá.

Eloise, que sempre gostou de viajar e diz ter sangue cigano, deu muita força para o filho e viu nessa situação uma oportunidade para realizar um grande sonho.

“Meu sonho de menina era ser aeromoça para viajar o mundo”

Ela conta que tinha uma vida muito confortável. Um bom emprego, uma boa casa, carro, entre outros. Mas a vontade de ver um pouco mais do mundo e a insatisfação com a violência, corrupção e injustiça no Brasil falaram mais alto. Ela resolveu arrumar as malas!

Relação com seu marido

Nesse primeiro momento Eugenio não se sentiu pronto para abandonar o Brasil e se unir a ela nessa nova jornada. Como ele sempre gostou de viajar e com o tempo viu a oportunidade de uma vida melhor, a idéia de ir para NZ ficou mais atraente.

Morar fora com marido e filhos Eloise Esmitz

Preocupação

Como toda mãe amorosa, o que já podemos perceber que ela é, a maior preocupação de Eloise era com Thaisa, sua filha mais nova.

O pai dos seus filhos é brasileiro mas mora na China já há quase 20 anos. O acordo entre eles era que quando as crianças acabassem uma parte do colégio passariam um ano na Ásia com o pai. Ela, então, entrou em contato com o ex marido, que conta ser um paizão, e eles decidiram que Thaisa moraria com ele esse período.

Eloise viu que realmente esse era o momento certo. Sua filha estaria segura com o pai, ela realizaria um grande sonho de morar fora e, ao mesmo tempo, daria um ponto de apoio para o Talles, que estava indo sozinho para o outro lado do mundo.

“No momento em eu e meu filho embarcamos para NZ, minha filha embarcou para China”

Maior preocupação Filha

 

MORANDO FORA

Principal Objetivo

O maior objetivo era ser um ponto de apoio para o filho caso ele precisasse, mas ao mesmo tempo deixar ele viver a vida dele. Por isso, apesar de morar na mesma cidade fez questão de que cada um tivesse sua própria casa. Ele foi morar com os amigos e ela, no início, foi morar em uma pensão.

O Visto

Como não cogitaram fazer curso de inglês pois seu filho já havia feito no Brasil e ela, por trabalhar com comercio exterior, já sabia se virar, neste primeiro momento foram a turismo para passar uma temporada por lá.

Na NZ não é necessário fazer o visto de turismo do Brasil pois ele é emitido no momento em que se chega ao país. Essa foi menos uma preocupação.

Visto turismo Nova Zelandia

Emprego

Eles gostaram tanto do país que resolveram ficar de vez, e para isso, foram em busca de um emprego.

Queenstown é uma cidade pequena da NZ voltada para hotelaria devido aos grandes resorts de esqui no inverno. Eloise conta que eles começaram buscando trabalhos simples que estavam dando oportunidade de visto de trabalho.

Em pouco tempo ela conseguiu arrumar um emprego em limpeza e seu filho na área de construção.

Na NZ é permitido à estrangeiros trabalhar legalmente através do patrocínio de uma empresa. Para ser patrocinado o empregador precisa provar para imigração que não há neozelandeses aptos a exercer a função que eles estão buscando.

Eloise fala que a mão de obra simples o neozelandês, na grande maioria, não quer fazer. O que acaba gerando uma certa facilidade para que o governo permita que estrangeiros consigam o visto de trabalho.

A grande maioria das pessoas recebe o visto de um ano, onde se tem a obrigação de trabalhar na empresa que forneceu o patrocínio.

“Para conseguir trabalho não era difícil, a maioria das pessoas conseguiam trabalho entre uma semana e dois meses.”

Eloise reforça que sua palavra é desprendimento, pois largou uma vida confortável para começar do zero. Teve que recomeçar por um trabalho extremamente simples, mas que lhe deu toda dignidade e segurança que não tem no Brasil.

Ela percebe e entende que algumas pessoas muitas vezes não se presta a isso.

Trajetória de trabalho

  • Começou com limpeza em resorts;
  • Virou a gerente de recursos humanos em uma empresa de limpeza. Ela explica que empregadora só queria trabalhar com brasileiros, dizia que nós somos caprichosos e não temos medo de colocar a mão na massa;
  • Trabalhou na The Warehouse: começou com trabalho no chão da loja, foi para o setor administrativo e continuou crescendo lá dentro até chegar no escritório central como especialista em compra de calçados para toda rede.

The Warehouse work

 

Visto para o Marido

Quatro meses após a viagem de Eloise, Eugenio também decidiu que iria morar fora. Ele foi com o visto de turismo e também conseguiu o patrocínio por lá. Devido a situação de Eloise isso não era necessário.

Como ela estava com emprego permanente, seu marido poderia ter ido com o “partner visa” (visto para cônjuge). Esse tipo de visto permite que um parceiro tenha os mesmo direitos do outro, com isso o de trabalhar em período integral no país.

Morar fora com marido e filhos Eloise Esmitz

 

Renda

Ela explica que na Nova Zelândia não existe uma diferença exorbitante de salários. Ela começou ganhando NZD $14 por hora e hoje, alguém exercendo uma função como especialista em compra de calçados, ganha aproximadamente NZD $36 por hora.

Dá como exemplo o trabalho do “builder“, o pedreiro, que não é reconhecido no Brasil e lá eles enxergam como a pessoa que está construindo a casa para uma família. Para ter uma idéia, ele ganha muito próximo ao que um engenheiro, se mostrar capacidade.

New zeland money

 

Gastos

Eloise conta que nunca precisou recorrer a nada nem ninguém, ela sempre conseguiu se sustentar tranquilamente com o dinheiro que ganha por lá.

“Sou uma pessoa de origem muito humilde”

Na época em que ela ganhava aproximadamente $14 a hora. Em uma média de 40h por semana, um salário de mais ou menos AUD $2.200 o mês.

Com esse dinheiro ela conta que:

  • Pagava o aluguel em uma pensão com tudo incluído (luz, internet, gás, entre outros);
  • fazia mercado e comia muito bem;
  • Comprou roupas de frio;
  • saia para barzinho com os amigos;
  • E ainda guardava dinheiro.

Chegada da filha a Nova Zelândia

No momento em que se tem um visto de trabalho do país, os filhos até 21 anos tem o direito de estar próximos a mãe. Como a idéia era que Thaisa passasse apenas um tempo na China, Eloise fez toda parte burocrática para que sua filha entrasse tranquilamente no país com o visto de estudante.

Na NZ existem escolas particulares e excelentes escolas públicas, onde ela não pagou absolutamente nada para registrar Thaisa no “High School” (Ensino Médio).

A única ajuda que a escola pedia era se possível uma doação de NZD $150 no ANO! Que Eloise pagou com prazer.Escola para filha na Nova Zelândia

 

Transporte

Sempre tiveram carro, mas como Queenstown é bem pequena, usavam pouco.

“A gasolina é muito barata em relação ao Brasil. É bem acessível.”

O custo de um carro lá é muito baixo. Ela conta que as pessoas não dão tanto valor para marca do carro e sim para ser um meio de locomoção. Como ela e o marido sempre tiveram o principio de não ter necessidade de mostrar nada para ninguém, na época (2006) ela comprou um Vectra completinho do ano de 2000.

Quando precisava, usava o ônibus de excelente qualidade, mas relata ser um pouco caro.

Sistema de Saúde

O sistema de saúde lá funciona! Eloise já precisou usar algumas vezes e não pagou absolutamente nada por ser cidadã. No inicio, quando ainda não era residente, ela explica que tinha que pagar um percentual da consulta, mas não o valor integral como é no Brasil.

Em relação a consulta, ela explica que quando se tem qualquer tipo de problema, antes de ir a um especialista, tem que passar primeiro em um clínico geral.

Aqui no Brasil, se temos um problema na pele, vamos direto ao dermatologista. Lá não funciona assim. Antes é preciso ir a um clínico geral para ele, se necessário te encaminhar há um dermatologista.

Em relação aos medicamentos, ela explica que para residentes estes são 100% subsidiados pelo governo. O único custo com os remédios é de aproximadamente NZD $3,00, que é a taxa da emissão do papel. Para nós, brasileiros, é difícil de acreditar que isso exista.

Impostos

Em relação aos impostos Eloisa comenta que não são baratos, mas paga tranquilamente devido a qualidade dos serviços. Abaixo alguns percentuais citados por ela durante a entrevista.

  • GST: está em torno de 15%. Ele é o valor do imposto embutido nas mercadorias. É o mesmo que o ICMS no brasil.
  • Porcentagem sobre a remuneração mensal: É como se fosse o INSS no Brasil. Abaixo os valores a serem pagos na NZ dependendo do salário

Tabela referente ao percentual sobre a remuneração mensal na Nova Zelândia. INSS da Nova Zelandia

Lembrando que o salário mínimo é NZD $15,00. O salário anual mínimo é de aproximadamente NZD $30 mil no ano.

 

“Eu não reclamo de pagar absolutamente nada… tudo funciona”

 

CIDADANIA NEOZELANDESA

O processo depende da categoria para qual se aplica e através disso são somadas pontuações para ter o direito de iniciar o processo.

No caso da Eloise, após dois anos na NZ, eles aplicaram para “Skilled Migrant Visa” (Visto de Imigrante Qualificado), pois seu marido era Carpinteiro, e esta profissão estava em demanda no país.

Alguns pontos que ela abordou e que são avaliados durante o processo:

  • Tempo de trabalho: é preciso ter um tempo mínimo de experiência na profissão;
  • Estado civil: Se tem filhos, se é solteiro, casado, entre outros;

A residência saiu 50 dias após eles aplicarem para o visto. Como eles não fizeram nada de errado neste tempo, três anos depois receberam a cidadania e com isso, claro, o passaporte neozelandês.

Hoje são cidadãos do Brasil e da Nova Zelândia.

Família reunida na Nova Zelândia

 

QUEENSTOWN X AUCKLAND

Eloise contou um pouco sobre cada uma dessas cidades em que decidiu.

A decisão de ir para Queenstown surgiu através da experiência que seu filho quis fazer na Nova Zelândia. E segundo ela, se apaixonou pela cidade que é uma das cidades mais bonitas do mundo.

Queenstown é uma cidade pequena, mas está longe de ser uma cidade pacata. Ela tem um ar cosmopolita por receber turistas do mundo inteiro durante o ano.

Ela fala que lá tem paisagens que não encontramos em nenhum lugar do mundo.

A ideia de ir para Auckland surgiu de sua filha mais nova, Thaisa, que quiz fazer faculdade por lá. Mas Eloisa conta que já estava pensando em sair devido ao clima.

Devido a profissão, seu marido trabalha ao ar livre. Haviam dias em Queenstown que Eugenio ficava exposto a uma temperatura de -14ºC, o que ela explica que era um clima muito hostil e cansativo para trabalhadores deste ramo.

Apesar de amar a cidade, devido a esses dois fatores, eles decidiram sair de Queenstown (20 mil habitantes) para Auckland de 1,5 milhão de habitantes.

Chegada a Auckland

Eloise conta que gosta muito de Auckland também e que lá tem uma comunidade grande de brasileiros, o que foi maravilhoso para adaptação.

Um ponto interessante que ela comentou foi que lá, cada bairro parece uma cidadezinha. Ela acabava fazendo tudo dentro do bairro que morava, mas com a liberdade de estar bem próxima do centro da cidade que tinha relativamente tudo.

Por Auckland ser uma cidade maior, Eloise conta que lá tem transito sim, mas nada comparado ao Brasil. Apesar de saber que existe, ela diz ser privilegiada pois trabalha a apenas 2 min de casa.

“o máximo de transito em Auckland será de 1h, sendo radical em horário de pico”

Distancia Queenstown e Auckland

 

O QUE ESTÁ FAZENDO HOJE

Tem poucos meses que Eloise se mudou para Austrália, pois a cidadania neozelandesa permite o livre acesso no país. Se tem todos os direitos e deveres de um cidadão australiano devido ao acordo entre os governos.

Além dessa possibilidade, Gold Coast irá sediar o “Commonwealth Games em 2018, o que gerou a demanda por empregos como o de seu marido. Aproveitando essas duas oportunidade, eles foram para Austrália buscando viver em um lugar com o clima ainda melhor, e mais próximo ao do Brasil.

Porém, já tem planos para voltar a Nova Zelândia em breve!

 

PRINCIPAL DIFICULDADE

Hoje ela se sente realizada com sua decisão, mas explica que obviamente se paga um preço caro por isso. Ela conta que sente uma saudade enorme do filho que acabou voltando para o Brasil, e também do resta da família que acabou ficando por lá.

Apesar dos neozelandeses serem muito receptivos, ela diz que nunca será o pais dela, mas é um preço que compensa pela qualidade de vida.

Para amenizar as saudades ela vem algumas vezes para o Brasil e já chegou a levar a mãe dela de 80 anos para ficar um tempo por lá.

IMG_0473

 

DICA PARA QUEM QUER COMEÇAR AGORA ESSE SONHO

Se alguém da mesma faixa etária tem vontade, ela aconselha que vá é faça. Vai se pagar um preço pela escolha, mas se essa é a sua vontade, você tem que seguir seus sonhos.

Ela conta que gosta de conforto, de fazer passeios, guardar dinheiro

“Se tiver que comprar um sofá novo ou viajar, será a viagem com certeza”

 

BEST SPOTS EM QUEENSTOWN

  • O centro da cidade que é maravilhoso, segundo Eloise, uma paixão;
  • Bungee Jump: Não apenas para pular, mas para aproveitar beleza do local que tem uma vista incrível e uma cor de água maravilhosa;
  • Mount Cook: a montanha mais alta da Nova Zelândia.
  • Fiords em Milford Sounds: localizado a apenas 2 horas de carro de queenstown é um lugar deslumbrante.
  • Gêiseres de Rotorua: onde há as explosões de águas quentes e termais.

“a vida é pequena o que te acrescenta e o que teus olhos veem ninguém nunca vai te tirar”

Gêiseres de Rotorua

Eloise e Eugenio em  Gêiseres de Rotorua

 

A Eloise conseguiu conquistar seu espaço no mundo e hoje já tem dupla cidadania. E você? quando vai começar seu processo para realizar seus sonhos?

Se você curtiu essa entrevista, compartilhe nas redes sociais e marque seus amigos. =)

Tags:         

«
»

what do you think?

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *