TOP
Projeto Social pelo Mundo Viajando em Casal

“Quando o sonho de ajudar te leva a morar fora”

Projeto Social no Exterior

O bate-papo de hoje é com o Felipe Brescancini de Melo. Depois de trabalhar 10 anos no mundo corporativo, ele resolveu largar seu emprego e construir uma vida com muito mais propósito. Hoje, Felipe é ativista e empreendedor social. Ele já viajou por mais de 40 países com sua mulher, Gabriele, praticando a empatia e vivendo experiências únicas através de seu projeto social no exterior que, até hoje, faz parte da sua transformação.

Confira abaixo o vídeo da nossa entrevista:

Se preferir a leitura, sem problemas, abaixo todo o conteúdo e links da nossa conversa.

 

LARGANDO O MUNDO CORPORATIVO

Felipe conta, que a transição do mundo corporativo para uma vida como ativista e empreendedor social foi um processo gradativo.

Ele trabalhava no setor de marketing de uma multinacional e, depois de um tempo, começou a perceber que não sentia conexão com o propósito do trabalho.

Ele explica, que começou a se questionar em relação ao resultado e impacto social que estava gerando para o mundo.

“O que está saindo do meu trabalho, da dedicação do meu tempo, do meu intelecto, do meu dia, da minha disposição… E, no fim do dia, o que eu estou construindo.”

Em um certo momento, Felipe conta que chegou a conclusão que não estava mais sustentável trabalhar daquela forma. Ele diz que, mesmo sendo uma pessoa calma, estava se sentindo muito desgastado e estressado.

Apesar de sua antiga rotina não ter horários puxados, como de algumas pessoas, ainda sim, sentia dificuldade de desconectar 100% do trabalho mesmo quando estava fora dele.

Felipe explica, que sua insatisfação foi aumentado quando começou a estudar sobre negócios sociais.

“Foi uma forma de ver o funcionamento das organizações na sociedade, que foi muito poderosa e transformadora”

Foi neste curso que Felipe conheceu a Gabi, sua mulher.

Ele diz que, teve uma conexão muito forte e bonita com ela. Juntos, tinham os mesmos valores e aspirações e, por isso, começaram a pensar como poderiam iniciar uma nova jornada social fora.

 

O MUNDO CORPORATIVO

Felipe explica que, hoje, as empresas têm um papel fundamental para o funcionamento do todo.

Como exemplo, comenta sobre a indústria de óleo e gás. Conta que, vê muitas pessoas reclamando deste setor mas, hoje, muito do que fazemos no nosso dia a dia tem alguma relação com essas empresas.

“Eu usei petróleo em algum momento do meu dia.”

Em sua opinião, o melhor a fazer é não se vitimizar. Mas sim, buscar formas de fazer uma transição sustentável. Como exemplo, ele citou a importância de abordar e tratar temas como:

  • Hiperconsumo – pois as pessoas estão consumindo cada vez mais sem real utilidade do bem.
  • Ciclo destrutivo – de gerar necessidade nas pessoas quando, na verdade, elas não precisão.

Explica que, esse foi um de seus grandes “insights.

Felipe trabalhava com Marketing e sentia que, de alguma forma, estava gerando uma necessidade nas pessoas que não necessariamente eram essenciais para vida delas.

“Eu achava, que era uma forma irresponsável de fazer o meu trabalho.”

Felipe diz, que sentia que não estava fazendo bem para sociedade e queria gerar alguma transformação e melhoria social para o mundo, mesmo que pequena.

“E é o que eu venho tentando fazer com o instituto Think Twice Brasil desde o início da viagem.”

Projeto Social no Exterior

POR QUE VIAJAR 40 PAISES?

Felipe diz que, ama viajar e acredita ser algo muito poderoso para conhecer novas pessoas e, por conta disso, vivenciar e compreender diferentes realidades, hábitos, cultura, religiões, entre outros.

Ele conta que, quando ele e Gabi tiveram essa ideia, o primeiro pensamento que surgiu na cabeça deles foi: “como a gente começa essa transição.”

Felipe relata que, iniciou uma jornada de pesquisa onde a idéia era vivenciar diferentes realidades e culturas. Ele e Gabi, queriam entender quais as vulnerabilidades das pessoas dentro do meio que estavam inseridas.

Ele explica que, a idéia não era apenas conhecer um único contexto sócio econômico, mas sim, pessoas de diferentes níveis sociais, com problemas e realizações distintas.

Por conta disso, chamou sua viagem de “experiência de empatia”, onde eles queriam se colocaram no lugar de cada uma dessas pessoas.

“Viver a rotina delas, estar em conjunto com elas no dia a dia”

Felipe diz que, tentou focar em organizações sociais. Ele acredita, que essa é uma excelente forma de conhecer os problemas de cada local com pessoas que são espontaneamente inspiradoras.

Segundo ele, essas pessoas e organizações são os grandes responsáveis pela transformação na vida de pessoas que, hoje, estão sofrendo as consequências da desigualdade em uma sociedade muito injusta.

“Para mim, essas são as pessoas que estão realmente resolvendo.”

POR ONDE COMEÇAR?

Felipe e Gabi, optaram por iniciar sua jornada de empatia na África.

Apesar de não saber explicar muito bem de onde vem, Felipe conta que, tanto ele como Gabi têm uma conexão muito forte com o local.

Ele diz que, desde o início queria muito conhecer o continente devido a ser o que sofreu as maiores consequências do sistema de colonização.

LISTA IDEAL

Para construir uma lista ideal de quais países eles gostariam de visitar, Felipe conta que, se baseou em locais com IDH menos desenvolvidos. Para ele, essa é uma forma interessante de entender os maiores problemas de evolução da dignidade humana.

Apesar de ter idealizado uma lista de países, eles optaram comprar apenas uma passagem de ida para África do Sul – por ser o trecho mais barato – e, de lá, seguir de transporte público para outras localidades.

“Eu, particularmente, gosto muito de transporte público. Desta forma, é possível ir vendo as cidades e como as pessoas vivem através do contato direto.”

Ao longo da viagem, Felipe conta que foi descobrindo inúmeros mistérios. Abaixo alguns citados por ele:

  • Não dá para atravessar por terra da Angola para Zâmbia – ele explica que há uma fronteira enorme e não tem idéia do que tem por lá.
  • O mesmo ocorre da Tailândia para Mianmar – também não é possível cruzar por terra.

QUANTO TEMPO EM CADA PAÍS?

Felipe explica que, idealmente, definiu um período de 12 a 18 meses para essa nova jornada.

Porém, para o tempo de sua estadia em cada país, eles acharam melhor não criar uma programação específica. Optaram, por se abrir as oportunidades que fossem surgindo ao longo da viagem.

Felipe relata que, tiveram países onde ficaram apenas 3 dias e outros que chegaram a ficar 1 mês – como foi o caso da Índia e de Moçambique.

AQUELA AJUDINHA

Por ter vontade de estar em contato com organizações sociais. Felipe conta, que lançou uma pesquisa online pedindo indicações a dessas organizações a seus amigos.

Ao final, criou uma tabela com todas as dicas para gerar uma conexão com esses agentes transformadores.

 

ALGUM PERRENGUE RELACIONADO A SEGURANÇA?

Felipe conta que, não chegou a analisar a fundo a situação de violência de cada país por onde passou.

Ele explica que, nós brasileiros, vivemos uma triste realidade por termos algumas regiões muito violentas no Brasil, devido ao alto índice de trafico de armas de fogo do país.

Felipe relata que, há países na África que têm problemas graves, mas eles não tem arma de fogo.

“Em alguns países da África, eu falava que você pode, literalmente, ter um cara na janela do carro com uma arma de fogo e as pessoas ficavam chocadas.”

Segundo ele, a violência não é tão grande assim. Em alguns locais, ele ouvia as pessoas falarem sobre furtos e roubos. Mas, nada nunca lhes aconteceu.

Felipe brinca falando que, nós brasileiros, por vivermos em locais violentos, já temos um alerta natural para situações perigosas.

“Em algumas situações a gente falava, aqui está estranho, vamos sair.”

COMO SE INFORMAR SOBRE A VIOLÊNCIA DOS PAÍSES?

Segundo Felipe, apesar de ser uma informação um tanto quanto enigmática, é possível se informar sobre países que têm um perigo maior através de sites como o do Ministério da Defesa do EUA e da Alemanha.

Ele explica que, esses países mantém uma atualização constante sobre os países mais problemáticos e, os que estão em guerra cívil.

“As vezes eu via isso.”

Felipe explica que, em teoria, alguns não são tão perigosos como o sites demonstram. Porém, por nao conhecer os países a fundo, optou por áreas mais tranquilas e, diz que, sempre deu certo.

PERRENGUE EM BANGLADESH

Outro detalhe importante, citado por Felipe, é entender a necessidade de tirar visto para alguns países.

Ele conta que, tem uma tabela para saber se há necessidade ou não de, um brasileiro, emitir um visto para entrar como turista nos países. Ele sempre seguiu a tabela que criou e, por isso, deu tudo certo.

O único perrengue foi em Bangladesh.

Felipe explica que, apesar de lá precisar de visto, em alguns casos, é possível conseguir uma excessão e tira-lo na hora que chega ao país.

Ele e Gabi, tentaram conseguir essa excessão, mas não tiveram sucesso. Acabaram tendo que dormir no aeroporto e ir embora no dia seguinte.

“Aconteceram situações chatas, mas nenhum perigo, violência real.”

 

TERIA FEITO ALGO DIFERENTE?

Felipe explica que, a questão do ritmo da viagem vai de cada um. Mas, se você se planejar para ficar mais tempo em um mesmo local você acaba curtindo mais.

“O ponto de você pegar a mala, pegar um ônibus, achar, procurar, não achar, ter que voltar… é muito cansativo.”

Para Felipe, sua viagem foi um pouco cansativa porque eles não paravam. Por isso, caso você tenha oportunidade, ele indica ficar mais tempo no mesmo lugar.

Segundo ele, isso ajuda muito a descansar e ter um ritmo mais tranquilo e mais saudável de viagem.

MELHORES EXPERIÊNCIAS

ZÂMBIA – FAMÍLIA KASSONDE

Na Zâmbia, Felipe conta que, teve uma experiência incrível.

Através de amigos, eles conheceram a WWOOF, uma organização que conecta fazendeiros locais à voluntários dispostos a trabalhar em troca de comida e hospedagem.

Felipe explica que, foi através desta plataforma que conheceu a família Kassonde. Uma família de fazendeiros americanos que moram na Zâmbia e tem um projeto maravilhoso de “empoderamento feminino”.

“A gente ficou com eles e foi uma das experiências mais maravilhosas que a gente teve.”

Logo que chegaram a fazenda, Felipe conta que, os Kassonde foram tão receptivos que os fizeram se sentir em casa.

Ele explica que, uma das filhas do casal chegou a mudar de quarto para que eles tivessem onde dormir.

Segundo Felipe, a experiência foi muito transformadora. O fez ver a beleza da generosidade e da simplicidade.

“Eu percebi como é possível ter uma vida mais simples.”

INDONÉSIA – RAMADÃ

Outras experiência muito marcante para o casal, foi passar o Eid al-Fitr (celebração muçulmana que marca o fim do jejum do Ramadã) na Indonésia.

Felipe conta que, através da agencia ViaVia Jogja eles conseguiram ter essa experiência.

Ele diz que, não gosta de conhecer a realidade turística pois acredita que, as vezes, é um pouco deturpada. E, foi isso que Felipe mais gostou nesta agencia, pois eles proporcionaram uma experiência real e maravilhosa.

Felipe relata que, teve a oportunidade de passar um dia com uma família islâmica muito simples que o fez entender um pouco melhor sobre o povo e os problemas da religião.

Ele conta que, passou a noite por esse vilarejo que ficava a 30min de Jogjakart e, no Eid al-Fitr, eles foram para um campo aberto fazer a reza com cerca de 400 locais.

Apesar de não entender nada do que estava sendo dito durante a cerimonia, Felipe conta que foi muito marcante.

“Foi uma cerimonia muito bonita e emocionante.”

Ele explica que, a experiência foi ainda mais especial por se falar de Islamismo. O que, para ele, hoje, tem uma conotação muito irreal diretamente ligado ao terrorismo.

“O que é algo totalmente injusto e muito infundado.”

Projeto Social no Exterior

O QUE É PRECISO PARA FAZER ESSA TRANSFORMAÇÃO?

Para Felipe, o ponto mais importante é se conhecer melhor. Entender onde você quer chegar e qual impacto você quer gerar para sociedade.

Ele fala, sobre a importância de encontrar sua paixão e entender o que você quer produzir com ela de forma a ajudar a sociedade.

Felipe explica que, não necessáriamente precisa ser algo em que você se formou, mas sim, algo que você goste de fazer.

Dentro desse contexto, o céu é o limite. Sua paixão pode ser um esporte, um jogo, lidar com números, um estilo de pintura, enfim, algo que você sinta prazer em fazer.

Ele fala que, descobrir o que você ama fazer pode ser algo muito poderoso.

E, mesmo que você opte por não trabalhar com aquilo, ainda sim, será importante para você se descobrir e se desenvolver.

“Não necessariamente tudo que a gente faz vai gerar um trabalho, mas é uma forma da gente se conhecer e ir se desenvolvendo.”

Felipe dá a dica de você começar a estudar coisas diferentes. E, aqui, ele explica que não é iniciar um mestrado, mas sim, começar a ler sobre assuntos diferentes para iniciar uma jornada de auto descobrimento dedicando mais tempo a você.

“Você vai se moldando independente da forma que vc vai estudando.”

Ele conta que, saiu do ambiente corporativo há pouco mais de 3 anos e ainda está em processo para se conhecer melhor.

E, para Felipe, o auto conhecimento é a parte mais importante.

“Eu estou me conhecendo ainda.”

QUANTO É PRECISO PARA INICIAR UM PROJETO COMO ESSE?

Felipe diz que, depende do estilo de vida de cada um.

Hoje, ele explica que há diversas formas de viajar, inclusive de graça. Abaixo, algumas destas formas indicadas por Felipe durante a entrevista

  • Couchsurfing – acomodação gratuita em casas de pessoas que querem ter contato com viajantes.
  • WWOOF – comida e acomodação gratuitas em troca de trabalho em fazendas pelo mundo.
  • Worldpakers – comida e acomodação gratuitas em troca de trabalho em albergues.

Como são muitas opções, Felipe explica que, cada um precisa encontrar o estilo que melhor se adequa a seu perfil.

Ele diz que, já ouviu falar de pessoas que viajaram sem dinheiro algum, apenas pedindo carona e trabalhando em locais em troca de comida e acomodação.

“É difícil estabelecer um número porque varia muito.”

 

INSTITUTO THINK TWICE BRASIL

A Think Twice Brasil propõe um movimento de engajamento, conscientização social e revisão do senso comum através de conteúdos e programas.

Durante sua jornada de empatia, Felipe conta que tentou ao máximo dividir e transmitir tudo o que estava vivendo nos 40 países.

Porém, foi quando retornaram da viagem que estruturaram melhor o instituto onde a idéia é ajudar a despertar os transformadores sociais que há em cada um de nós.

Para Felipe, não necessariamente você precisa largar o que está fazendo hoje para trabalhar em uma organização social. O importante é ser mais consciente do valor e contribuição social que se pode gerar.

“Como a gente pode ser mais responsável no nosso dia a dia”

Ele conta que, dependendo do trabalho, você pode entrar em um ciclo vicioso e acabar perdendo o controle de sua vida.

Para Felipe, o problema não é apenas a falta de contribuição social. Mas, o estresse, medo, insegurança e correria que esse tipo de vida pode gerar e, acabar afetando negativamente outros a sua volta.

A idéia do Instituto Think Twice Brasil, é despertar o agente social que existe em você através de workshops e palestras com objetivo de dividir histórias transformadoras e trocar experiências.

Felipe explica que, organizou conteúdos e experiências vividas por eles, com diferentes focos, para abordar assuntos como:

  • empatia
  • responsabilidade social
  • cultura de paz
  • vulnerabilidade

Hoje, o casal está fazendo um mestrado em Londres. Ele em Psicologia Econômica e Gabi em Diretos Humanos.

“Está sendo bem interessante, estou aprendendo muita coisa.”

OUTROS PAÍSES MARCANTES

Felipe conta que, teve experiências maravilhosas e muito diferentes.

RUANDA

Em Ruanda, ele explica que, chegou lá com a imagem do genocídio que ocorreu em 1994.

Porém, apesar da preocupação, Felipe conta que, ficou muito impressionado com a generosidade das pessoas.

Ele diz que, ficou encantado com o trabalho que é feito em Ruanda.

BURUNDI

Felipe conta que, o país é muito pobre e precisa de muita ajuda.

“Foi muito impactante.”

Assim como Ruanda, ele relata que também se impressionou com a generosidade das pessoas.

COREIA DO NORTE

Felipe explica que, por ser um conceito de sociedade totalmente diferente do que estamos acostumados, a Coreia do Norte, acabou sendo um país muito marcante.

Segundo Felipe, apesar do que muitos pensam, não é difícil conseguir permissão para entrar no país. Porém, para visita-lo, é preciso seguir uma serie de regras.

Ele conta que, achou as cidades muito diferentes. Explica que, quase não viu comércios de rua e nem transportes motorizados.

Para Felipe, ainda fica a grande dúvida do que pode estar acontecendo por lá.

“A parte triste, é que continua um mistério muito grande. Você não sabe o que tem lá… o que é mentira.”

O Felipe criou coragem para embarcar em uma jornada social pelo mundo e, hoje, vive com mais propósito e alinhado com seu sonho. E você? Quando vai começar a despertar para o seu?

Gostou da entrevista? Então fica de olho no Bora Morar Fora porque vem muito mais novidade por ai! Vai lá, curti nossa página do Bora Morar Fora no Facebook e se inscrever no Canal do Youtube para ser avisado assim que as novidades saírem. =)

E não se esqueça! Eu ainda ofereço um e-book GRATUITO sobre “Os 7 maiores mitos que te impedem de ir morar fora“, clique aqui para baixar o seu.

 


Se identificou com o Felipe e o Think Twice Brasil? Abaixo os links para as redes sociais do instituto Think Twice Brasil.

Tags:     

«
»

what do you think?

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *